segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A Crise Econômica Americana (Sem blá blá blá) - Última parte

Vou finalizar essa pequena série de postagens sobre a bolsa de valores falando a respeito da crise americana. Espero que você tenha aprendido facilmente se não sabia antes como o mercado financeiro funcionava. A nossa função aqui é deixar as coisas mais claras e mais acessíveis a você. Nas outras duas postagens falamos em ações empresarias e o funcionamento da bolsa de valor, numa forma bem peculiar, simples e mais interessante, mais fácil de entender.

A CRISE AMERICANA EM 6 PASSOS

É CHATO tentar aprender pela informação que outros sites dão sobre a crise econômica. Expressões como “os juros do Fed, que vinham subindo desde 2004, encareceram o crédito e afastaram compradores”, “a inadimplência aumentou e o temor de novos calotes fez o crédito sofrer uma desaceleração expressiva no país como um todo”... Acredito que podemos explicar melhor. Vamos lá então?

1º) O Banco Central dos Estados Unidos teve que diminuir os juros para recuperar um pouco a economia. Quem aproveitou os juros baixos foi o mercado imobiliário (as imobiliárias). Com os juros baixos do Banco Central, ela começou a vender suas casas a juros mais baixos também (no financiamento).

SE ENTENDEU ATÉ AÍ, VÁ PARA O PONTO 2. SE NÃO, LEIA A EXPLICAÇÃO DETALHADA LOGO ABAIXO:

Se não entendeu o ponto 1, vamos ver bem mais devagar:
1- O que é juro? É, literalmente falando, o “preço” de um empréstimo em dinheiro em função do tempo. O que quero dizer com isso? João pega 5 reais emprestado durante três dias e Pedro quer lucrar com isso. Então Pedro fala: “cara, te empresto 5 reais mas você tem que me dar um real de juros ao dia”. O João, que ficou três dias com os 5 reais teve que devolver ao Pedro 8 reais, porque em cada um desses 3 dias teve 1 real de juros, ou seja, Pedro lucrou 3 reais. Se os juros fossem a 2 reais ao dia, Pedro lucraria 6 reais, e por aí vai...
2- Entendendo melhor: Nessa história, o Banco Central é o Pedro e a imobiliária é o João. Se o BC diminui os juros, as imobiliárias aproveitam para pegar mais dinheiro emprestado para a construção de mais casas (porque vão “pagar” menos pelo empréstimo).
3- Depois que a casa fica pronta, o que acontece? Como os juros estão baixos, os compradores financiam as casas a juro baixo, ou seja: fica mais fácil comprar uma casa
4- O resultado: veja o ponto 2

2º) Se os juros caem, fica mais fácil de comprar uma casa. Se fica mais fácil de comprar uma casa o que acontece? A demanda sobe. O mercado imobiliário se expande e vive seu momento bom.

3º) Nessa fase de expansão, as imobiliárias começaram a atender as pessoas que não possuem muitos recursos, que é a chamada classe “subprime”. Aí começam os problemas... os “subprime” se endividam, os bancos que fazem os empréstimos começam a se endividar pois não recebem de seus clientes...

4º) Para complicar mais... Você lembra quando eu disse que o Banco Central tinha diminuído os juros? Pois é... ele começou a aumentar. Então temos todos esses efeitos: os bancos tem medo de financiar com os “subprimes” pois ambos se endividam e os juros sobem, fazendo com que a oferta de imóveis fique maior com que a oferta.

5º) Começou então a crise: muito imóveis desvalorizados, pouco dinheiro, juros altos, poucos compradores... Nessa época, apareciam nos jornais da televisão imagens de casas à venda, com placas “sell” (vender) e por aí vai...

6º) A crise do setor imobiliário começou a crescer e deu no que deu: vimos que os bancos foram envolvidos diretamente, por isso que vários quebraram.

Agora o que falta fazer é acompanhar o resto da história... O FMI disse que a crise nem começou, que o pior está por vir... O governo brasileiro afirma que a crise não vai gerar “estragos” em nossa economia. Bem, vamos ver aonde nos vamos chegar... isso o tempo vai dizer...