quinta-feira, 3 de julho de 2008

Chimarrão (parte 3)

Malefícios do Chimarrão
Talvez você já tenha ouvido dizer que o chimarrão dá câncer de esôfago. Sim, pode dar. Mas não é o chimarrão, e sim a temperatura da água. Quem toma bebidas muito quentes pode ter câncer de esôfago. Fora isso, não faz mal nenhum tomar chimarrão!

Erva

Brotos da Ilex paraguariensis, a famosa erva-mate.







Ramos de Illex paraguariensis


















Como é fabricada?
Na fase inicial, faz-se o sapeco dos ramos com as folhas para retirar a umidade superficial, eliminar enzimas e impedir a decomposição do produto. No sistema rudimentar, o processo era feito manualmente junto ao fogo, enquanto hoje se realiza por meio a sapecador mecânico, giratório e sua alimentação também já ocorre por esteira.
Ainda no beneficiamento primário, outra operação completa a desidratação (secagem) e efetua-se o cancheamento (fragmentação) da erva-mate. A secagem era feita no chamado carijó, com as chamas atuando diretamente sobre a erva; evoluiu-se para o barbaquá, casinha com armações de madeira onde os ramos sapecados recebem o calor por canal subterrâneo e chegou-se ao secador mecânico, que também vem sendo aperfeiçoado. Já a trituração do material, no sistema artesanal, acontecia após a secagem, inicialmente com facões e depois com moendas de madeira. Com a mecanização, esse procedimento é realizado normalmente logo após o sapeco por meio de um picador mecânico.
O modo artesanal e correto do processamento da erva-mate é muito importante porque sendo um processo lento e gradual permite que uma série de elementos nutricionais da erva-mate não sejam eliminados, ao contrário do que acontece nos sistemas industriais modernos, que necessitam de rapidez na produção e com isso há a eliminação de componentes nutricionais importantes.



Na foto da esquerda, a erva pronta!

Tipos de Erva

Assim como existe a laranja de umbigo, a laranja comum, a laranja do céu, a bergamota e o limão, todas frutas tão diferentes, mas pertencendo ao gênero cítrus, também ocorre em relação à erva-mate. Ela faz parte do gênero Ilex do qual existem de 550 a 660 espécies, segundo o professor Renato Kaspary, mestre em Botânica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Na sua casa em Mato Leitão/RS, ele recebe a equipe do Anuário com um chimarrão feito a preceito e com a adição de alguns chás medicinais de bom gosto, para falar dessa planta à qual dedicou sua tese de mestrado "Efeitos de diferentes graus de sombreamento sobre o desenvolvimento de plantas jovens de erva-mate", defendida em 1985.
Ele revela que, apesar de haver tantas espécies do gênero Ilex, distribuídas nas zonas temperadas e subtropicais do mundo inteiro, tendo como centro de dispersão a América do Sul, cerca de 150 a 170 delas ocorrem no Brasil e apenas 10 no Rio Grande do Sul. Destas, somente três são espécies erváveis, isto é, prestam-se à produção de chimarrão: Ilex angustifolia, que seria a erva-mate Periquita, existente na região de Sarandi/Erechim; Ilex amara, a erva-mate crioula e, como o nome indica, um pouco mais amarga que as outras duas, e a Ilex paraguariensis St. Hil., também conhecida como erva-mate Argentina, que é a mais cultivada pelo Brasil afora, no Paraguai e na Argentina.
Afinal, por que conhecer tantos detalhes sobre esta cultura? É que só a diferenciação entre as espécies poderá detectar as adulterações nos produtos comerciais à base de folhas e ramos de erva-mate. E sabe-se que essas adulterações existem e que são muito semelhantes às folhas das diversas espécies de Ilex existentes.
Além do gênero Ilex, existem outros dois da família das Aquifoliaceae, à qual pertence a erva-mate: o gênero Byronia, com três espécies, encontradas na Austrália e Ilhas Polinésias, e gênero Neniopanthus, com uma espécie na região nordeste dos Estados Unidos. Essa é uma pequena identificação dessa planta, descrita pelo professor Renato Kaspary como "lindíssima, apaixonante, maravilhosa e invulgar." Ele diz que ela só ocupará o seu verdadeiro lugar quando for estudada em todas as etapas de seu desenvolvimento. Certamente os que a conhecerem melhor e não só pelo chimarrão hão de concordar com ele.

Fonte: Anuário Gazeta

Viram como o assunto "Chimarrão" é amplo? Pois é, ainda não terminou hehehe! Espero que tenham gostado do post!
Tinah