terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Meus trabalhos (um pouco de egocentrismo...)

Algumas poesias minhas:

Memórias de um Vencedor

Rompe no horizonte a alvorada
E passeia pelas arcadas a brisa gaúcha
Relembrando a rica história
Do Casarão da Várzea,
Que continua a refletir
A disciplina e o amor à pátria
Vezo sadio e vivo,
Que traz à memória de um vencedor
O triunfante passado glorioso
E uma marcante passagem de sua vida
Fazendo dele
Um digno cidadão


Mandei para o informativo mensal que o meu colégio produz. Foi no ano retrasado.

No Mundo Perdido

Aos olhos do luar
Perambulam suas vestes pelas ruas
Sua vida
A expirar, espirando sua dor
Utopia em almejar a sonhar

Ascendendo ruas no escuro
Arriando desejos nele insertos
Revelando o laço esotérico
Cada vez mais exotérico
Despedindo-se da solidão
Que tanto o acompanhara
Nessa vida, antítese da alegria

E de tal modo
Muitas vidas fingem viver
Pois tal se equivale a morte
Nada retificado, tudo ratificado
No mundo totalmente perdido


Escrevi para um trabalho escolar de literatura. Tínhamos que criar uma revista literária. O nome da nossa ficou "Horizonte Literário".

O Tempo

Para o tempo que tanto me intriga:
És um atalho para as preocupações da vida
No meu tempo
O tempo, passatempo


E agora uma crônica que coloquei na antologia do meu colégio (ano passado)

Um olhar imortalizado

A luz do sol transpassava a bandeira pendida no ponto mais alto do antigo edifício. No pátio e nos corredores do Colégio jazia a solidão. A negritude da íris do garoto “CMPArense”, assentado em um dos bancos, refletia o céu azul, rabiscado pelo tom alvo das nuvens. Sua face estática, rígida, mas com feições de uma pré-juventude bem aproveitada focava no céu infinito. Em sua mente corriam reflexões, tão raras como pensar em uma pessoa após ela partir. Lembranças daquele mais recente passado no Colégio Militar de Porto Alegre se encontravam e formavam encruzilhadas em sua mente.
“Pequeno e frágil me sentia, quando pelo portão dos presidentes entrava e me camuflava por entre as históricas arcadas. A respiração palpitante e a curiosidade se mostravam cada vez mais. O primeiro ano no Colégio se eternizou e ficou marcado na memória. As amizades cultivadas frutificavam e os valores para a vida formavam seu alicerce. Cada ano que se passava tornava-se mais ‘curto’. As responsabilidades cresciam e o caráter se forjava. Aquela fascinação se convertera em orgulho”.
“Ao andar pelas ruas, a boina se destacava e o andar cadenciado atenções chamava. Era o aluno do Colégio, era aquele em que se podia confiar e de onde poderia receber ajuda. A disciplina imposta pelo Colégio moldou o ângulo de ver as coisas, no qual aprendi a viver praticando o exercício do respeito e da bondade.” (Se levanta do banco e passa a percorrer vagarosamente o corredor vazio).
“Aqui vivi a fase dos brinquedos, das brincadeiras, das bagunças no recreio, da advertência do monitor, das gotas de sorvete a manchar a camisa, das boinas lançadas como discos no ar, das leituras silenciosas nos períodos de Língua Portuguesa e do toque do pincel com tinta num desenho. Aqui vivi a fase dos trabalhos extensos, dos namoricos escondidos, do estudo aumentado com as novas disciplinas; a fase das dúvidas, das perguntas, das intrigas, conflitos, labirintos. Vivi aqui a fase de trocar as prateleiras de carrinhos e bonecos por livros, de visitar mais a biblioteca e aprender para quê servia a caneta marca-textos. Foi aqui que passei pela fase dos estudos concentrados, dos cursinhos à tarde, da preocupação dos meus pais, de eu decidir como será minha vida amanhã”.
“Foi aqui que praticamente cresci, foi aqui que aquele pequeno garoto, marchando desengonçado na retaguarda aprendeu os valores para a vida. Foi aqui que valorizei um amigo, foi aqui que aprendi a conversar, a me expressar, e a me relacionar. Foi aqui que chorei, ri e me irei. Foi aqui que odiei o professor chato que queria meu bem e o agradeci mais tarde, quando pensava como ele.”
O rapaz, ao cruzar o portão e atravessar a rua, lança um olhar para a fachada do Colégio. Talvez não seja o último olhar para o lugar que o marcara profundamente. Naquele momento, sentiu como o tempo é sutil, como tudo passou tão rápido... Sentiu um fogo ardendo no coração, que embaralhava suas emoções e não sabia se estava triste ou alegre por seguir adiante. Um nó na garganta o sufocava, uma emoção estranha sentia. Naquela atmosfera de despedia, torna a olhar para frente e segue seu rumo: um rumo que cada aluno vai traçar e que decidirá sua vida, que fará a diferença. O olhar, focalizando o Colégio, se imortalizou na mente do rapaz, do cidadão... Suspirou profundamente, firmou seus passos e seguiu em frente. Seu futuro, qual será?


Ao todo, tive cerca de 5 premiações, 4 participações e 5 publicações nos anos que estudei no colégio militar, todos em relação à literatura (menos um prêmio, que foi sobre fotografia). Ah, não custa nada se achar um pouco, né? As próximas postagens serão de coisas interessantes.

Um comentário:

Tinah disse...

Oi!Nossa muito legal a tua crônica!O personagem é pra ser vc??
Gostei das tuas poesias também ^^ Você tem muito talento!!